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Dia 31 de Janeiro se apresentou a talentosa Silvia Molan, de 19 anos, no Hotel Frontenac, em Campos.
Foi uma tarde muito agradável, com o salão repleto de associados, amigos e pessoas que estavam na cidade naquele fim de semana.
A Silvia deixou o público bastante impressionado com sua musicalidade e delicadeza ao piano, que por sua vez não cooperava para uma interpretação clara e sentimental. Ou seja, pode-se dizer que ela tirou leite de pedra.
Dentre as peças que ela tocou, as que mais deram campo para que ela mostrasse sua musicalidade foram:
Impressões seresteiras, de H. Villa Lobos. Pra quem perdeu, tem vídeos dela tocando no youtube:

Ela mostrou muito talento também ao tocar o Noturno Op.27 Nº2, de Chopin.:

Tocou também uma sonata de Beethoven e “Papillon” de R. Schumann.
Esperamos que ela retorne ao nosso programa em breve, e que a recebamos com um ambiente onde ela possa mostrar seu talento ainda mais claramente.
Muito obrigado!
 
Davi Ramos

Veja aqui as fotos do Recital de Silvia Molan

“Sim nós Podemos” maestro

15 jan 2009/NEW YORK
The Economista – Edição Impressa

O jovem maestro venezuelano se aquece para a sua mudança para Los Angeles

Condutores convidados à Orquestra Filarmônica de Nova Iorque não estão normalmente autorizados a utilizar Leonard Bernstein’s Bastões. Gustavo Dudamel é um dos poucos. Existem semelhanças entre os apaixonados, a música intuitiva da Filarmônica mais famoso diretor musical e Senhor Dudamel, que se torna diretor musical da Filarmônica de Los Angeles na próxima temporada. Mas talvez de maior importância é a visão que a 27 anos, o venezuelano Bernstein que compartilha com as artes, são um meio de melhorar a sociedade.

Senhor Dudamel, que está de volta, em Nova York este mês conduz Gustav Mahler’s Symphony No. 5, que ele tenha feito algo de uma assinatura peça, é um produto de qualidade no sistema. O tão louvado venezuelano rede de Orquestras Jovens, fundada por José Antonio Abreu, em 1975, fornece gratuitamente instrumentos e aulas para crianças e adolescentes, muitos dos bairros desfavorecidos, que poderia ser tentado pelas drogas e pequenos delitos.

O sucesso do Senhor Dudamel e seu sistema inspiraram o recente lançamento da Orquestra Juvenil LA (Yola), que também visa ajudar as crianças desfavorecidas. Senhor Dudamel LA Filarmônica tem esperança de expandir o programa em toda a área metropolitana, seguindo o exemplo do sistema venezuelano, que engloba centenas de conjuntos.

Estas incluem a Orquestra Juvenil Simón Bolívar, que o senhor deputado Dudamel tem conduzido desde 1999 e com a qual lançou várias vibrantes gravações na Deutsche Grammophon rótulo, incluindo a quinta sinfonias de Beethoven e Mahler. Em 2007, os jovens músicos impressionaram os críticos e as audiências com as suas performances polido de Beethoven e Berlioz. Eles don ned casacos blasonadas com bandeira da Venezuela para a exuberante extradições de obras latino-americanas e pulou de seus assentos e seus instrumentos, tocando peças de Bernstein’s “West Side Story”. Como o senhor Dudamel diz, “O sangue latino é como champanhe. Há sempre movimento. As pessoas dizem que venezuelanos são loucos e nós estamos. É a nossa alma. Estou muito orgulhoso por isso.”

Senhor Dudamel, que inicialmente treinado como um violinista, queria se tornar um condutor com a idade de quatro anos, depois de assistir um concerto em que seu pai, um profissional trombones, realizava. Ele primeiro atraiu a atenção internacional quando ele ganhou o 2004 Gustav Mahler Concorrência Internacional Conduzindo em Bamberg, na Alemanha. Esa-Pekka Salonen, o LA Filarmônica da música atual diretor, estava no júri e disse Deborah Borda, a orquestra do presidente, sobre o Sr. Dudamel do prodigioso talento. Ela recorda observá-lo rehearse Mahler da quinta sinfonia com a orquestra do La Scala, em Milão. Eles inicialmente pareceram “como uma banda militar italiana tocando Mahler”, diz ela. Mas depois de algumas horas com o Sr. Dudamel, cujo ensaio estilo ela descreve como “educado, produtivo e otimista”, o conjunto começou a soar mais como Filarmônica de Viena.

Steven Witser, principal trombones da Filarmônica LA, aprecia como deputado Dudamel “blendas energia juvenil e exuberância com pensamentos e fazendo música séria”. Muitos condutores são “grandes personalidades”, acrescenta, “mas Gustavo tem uma inocência sobre ele.” Uma recepção calorosa aguarda Senhor Dudamel também fora do Concert Hall. O Los Angeles Lakers deu-lhe uma camisa decorada com seu nome.

Um idealista nos moldes Bernstein, o maestro de cabelo encaracolado energético acredita que o Estado deve oferecer a cada criança uma educação musical na América, tal como acontece na Venezuela. “Temos que educar sociedade. Com música ou artes, que tem de ser proveniente do estado. Isto virá, tenho certeza “, diz ele com o otimismo de quem ainda não tenha vivido em um país de baixo custo, sem os cuidados de saúde, muito menos livre violinos. “Quando você muda a vida de um garoto, você muda a vida da família completa. Quando você estiver em frente a estes miúdos, você perceberá que é muito importante não só para o futuro da música clássica, mas sim para o futuro do mundo. “A” Yes We Can “maestro verdade.

Neste último dia 29, tive a oportunidade em ouvir a grande pianista italiana Glória Campaner, onde marcou a todos que estavam presente na igreja São Benedito em Campos Do Jordão.
Glória mostrou a todos, que com seu talento e sua técnica muito bem compreendidos, é capaz de tirar o som mais bonito ao executar uma peça, neste caso, peças que exigem muito do pianista, e também peças, que devem ser interpretadas com muita responsabilidade, pois mal interpretadas ficara difícil para o ouvinte entender o que está ouvindo. Isto foi o que mais me surpreendeu em ouvi-la, e também o fato de estar livre dentro da música, sem se preocupar com nada, apenas em fazer o que gosta.

Lucas Thomazinho

Campos do Jordão, 20.9.2008

Com indubitável prazer tivemos a oportunidade de assistir, dentro do programa “Jovens Talentos”, o duo violoncelo e piano formado por dois jovens artistas: Camila Durães e Flavio Lago.
Camila iniciada no piano, aos 16 anos optou pelas cordas desenvolvendo seus estudos com violoncelo. Aprofunda seus conhecimentos musicais atualmente como estudante universitária da ECA-USP.
Flávio, jovem pianista paulista e aluno universitário da UNESP de Composição e Regência, foi bolsista da Fundação Magda Tagliaferro tendo já ganho algumas premiações em concursos como Art Livre, Souza lima, etc.
Embora tocando juntos há pouco tempo, nota-se nesse duo o perfeito ajuste dos dois instrumentos, que se complementam em um diálogo perfeito entre eles sem a dominância quer de um quer do outro. As leituras de todas as peças apresentadas nunca foram superficiais, mostrando, os instrumentistas, não apenas um preparo técnico, mas também uma preocupação no conhecimento da situação histórico-temporal das obras.
No recital tivemos três compositores dois românticos, um deles Robert Schumann, tido juntamente com Mendelsohn-Bartoldi, Chopin e Liszt como um dos quatro principais precursores do movimento romântico da música ocidental. O outro, Edvard Grieg, foi o maior compositor romântico dos países nórdicos. O terceiro autor retratado tratava-se de um contemporâneo latino-americano não menos importante, Astor Piazzolla.
Edvard Hagerup Grieg (Bergen, 15 de Junho de 1843 – Bergen, 4 de Setembro de 1907) é o mais célebre compositor norueguês, um dos mais célebres do período romântico e do mundo. As suas peças mais conhecidas são a suíte sinfónica Holberg, o concerto para piano e a suíte Peer Gynt. A sonata para violoncelo e piano opus 36 está entre suas principais obras para concerto de câmara.

Robert Alexander Schumann nasceu em 8 de junho de 1810 na cidade de Zwickau, Saxônia, Alemanha, filho de um livreiro, August Schumann e Johanna Schumann. Ao redor de  1826, viajou até Leipzig para matricular-se na faculdade de Direito que mais tarde, em Heidelberg, retomou o estudo das leis, inscrevendo-se na cátedra de Justus Thibaut. Os ensinamentos deste grande filósofo direcionaram-no para a música, sua verdadeira paixão. Em 1830 transfere-se para Leipzig para estudar exclusivamente à música com Friedrich Wieck . Na casa de Wieck, Schumann descobriu um outro grande amor além do piano, Clara Wieck. Esta foi sua maior fonte de inspiração. Em 1840 casa-se com Clara e em 1849 compõe Fantasiestücke inicialmente para Piano e Clarinete, posteriormente transcrito para Violino ou Violoncelo, Opus 73.
Ástor Pantaleón Piazzolla  nacido em Mar Del Plata em 11 de março de 1921 e falecido em  Buenos Aires à 4 de julho de 1992, foi um dos maiores bandeonista e compositor argentino do século XX. Ele viveu muito tempo nos Estados Unidos sofrendo forte influência jazzística. Aos 16 anos volta a sua terra natal. Estudou com um dos maiores compositores eruditos argentinos, Alberto Ginastera e entre 1954 e 1955 composição com Nadia Boulanger em Paris.

Orquestra Academica, a récita capitaneada pelo alemão Kurt Masur fecha a programação do Festival de Inverno em Campos do Jordão neste sábado (26) de julho. Estão no elenco a soprano Rosana Lamosa, o tenor Fernando Portari, a meio-soprano Adriana Clis, o barítono Stephen Bronk, o Coral Paulistano e o Coro da Osesp.

É um mistério que esta sinfonia monumental, a maior e mais influente de todas as nove de Beethoven, e consequentemente de toda a historia da musica, pudesse ter sido escrita por um compositor imerso em completa surdez. A Nona representa a essência do pensamento de Beethoven na fase final de sua carreira, em que as obras escasseiam em numero, refletindo a redução das suas capacidades físicas, mas em compensação concentra-se em idéias originais e crescem em ambição artística. É também, entre muitas outras coisas, uma obra paradoxal, porque ao mesmo tempo que é futurística, ao expandir as proporções da sinfonia a uma escala gigantesca, é também uma obra retrospectiva, uma síntese de referencia ao passado, e especialmente às do próprio Beethoven. A composição da Nona sinfonia ocupou Beethoven durante todo o ano de 1823. Uma sinfonia de duração inusitadamente longa como a Nona necessitava de estratégias também inusitadas para garantir a unidade da obra. A mais importante é o uso de antecipações e reminiscências de materiais temáticos ao longo da sinfonia. As melodias e motivos dos diversos movimentos relacionam-se sutilmente, e, em ultima instância, apontam todos para o movimento final, a Ode à Alegria, em que são explicitamente trazidos de volta à cena.
Costuma-se atribuir a esse ultimo movimento, devido ao uso de solista vocais, coro e orquestra ampliada, a responsabilidade de ter tornado excepcional esta sinfonia. De fato, é uma composição ímpar em que podemos enxergar todas as formas clássicas reunidas: concerto, forma sonata, encadeamento de variações, sinfonia em quatro movimentos encapsulados em um único. Mas na verdade o grande artifício do movimento final nasce da escolha do tema, belo mas simplíssimo, que responde ao chamado do poema “milhões, eu vos abraço!”, estabelecendo de imediato uma ponte de comunicação direta com todos os ouvintes.

Foram premiados com uma bolsa de estudos na Europa pelo período de um ano os seguintes bolsistas:

Prêmio Eleazar de Carvalho
Thiago Bertoldi – piano
Alexandre Bocalari – oboé

Festival de Schloss Pommersfelden na Alemanha
Ravi Shankar – oboé

Festival de Attergau na Áustria
Piero Alves – percussão

O maestro Kurt Masur, encerrou brilhantemente o Festival com sua regência aos 81 anos de idade. Esperamos vê-lo novamente no próximo ano.

Delma Teresa da Costa

Assisti com um indizível prazer a apresentação da Orquestra Municipal de São Paulo conduzida pelo genial maestro Florêncio.
O programa foi todo baseado no romantismo alemão.  Iniciou-se com a Abertura Coriolano de Beethoven baseada em Shakespeare.  Essa obra é uma das dez aberturas compostas pelo gênio de Bonn. Ele gostava do gênero.  Só para a sua única ópera, Fidélio, compôs quatro.  A execução da orquestra foi arrebatadora, diria mesmo, de arrepiar.  O maestro Florêncio é sucessor de uma linhagem de grandes regentes.  Começa no início dos anos 40 com Sergei Koussevitzky nos EUA. Ele foi o idealizador do famoso Festival de Tanglewood e mestre de Eleazar de Carvalho. O Festival de Campos do Jordão foi inspirado naquele evento.  Pois, há 30 anos atrás o bolsista Florêncio foi aluno e admirador de Eleazar de Carvalho. Além disso é carismático como todos os grandes maestros da história.  Quando ele assumiu o pódio e ergueu a batuta o público prendeu a respiração. A resposta da orquestra à sua condução  foi precisa e entusiástica.
A alma de uma orquestra são as cordas.  Ora, nós percebemos a sua qualidade pelo ataque dos arcos precisos e seguros.  Como me disse um amigo, o Florêncio faz a orquestra render 120% do que ela é.
Em seguida tivemos de Mendelsshon – Sonhos de uma noite de verão, também uma música incidental baseada em Shakespeare.  O compositor, judeu alemão, era neto do filósofo Moses Mendelsshon, chamado o Platão da Alemanha.
Intelectual refinado, marcou época como compositor e regente preocupado com o sentido histórico do repertório: deve-se-lhe a redescoberta da música de Bach.  A obra executada é muito conhecida e apreciada pelo público por seu último movimento, a famosa Marcha Nupcial.
Na segunda parte tivemos o poema sinfônico de Richard Strauss, “Assim falou Zaratrusta”.  Também é uma música incidental baseada no conhecido livro do filósofo Friedrich Nietzsche.
Richard Strauss é um romântico tardio que morreu em 1949.  Teve uma carreira
atribulada com seu envolvimento musical e não ideológico com o nazismo. Foi
nomeado o Ministro da Música do Reich.  Entretanto fez a apresentação de sua ópera, A mulher silenciosa, com libreto do escritor judeu Stefan Zweig.
Goebbels, o poderoso ministro da propaganda queria impedir, mas ele “bateu o pé” e disse que renunciaria.  A ópera foi exibida com grande sucesso.
Mas, voltando ao poema sinfônico, é uma obra complexa do ponto de vista musical e que exige enorme atenção para ser apreciada.  Começa de forma arrebatadora com uma introdução que foi popularizada por Kubrick no filme
“2001 uma odisséia no espaço”. Depois vai diminuindo de intensidade até um pianíssimo final, tal qual a obra de Nietzsche.
Apenas lamento não ter havido um concerto para instrumento e orquestra dentro de uma boa tradição do concerto.
OBS.: Eu não uso a expressão “Música Clássica”. O Classicismo é um período da música que vai do século XVIII ao início do XIX.  Mendelsshon, por exemplo, não é clássico, mas romântico.
Música erudita é outro exemplo de uma forma preconceituosa.  Erudito do latim, aquele que é educado e tem cultura. A música é essencialmente um aspecto das emoções.  Pode-se gostar e SENTIR uma música sem entende-la racionalmente.
Portanto uso a expressão: Música de concerto.

O Festival de Inverno de Campos do Jordão freqüentemente nos apresenta dentro de sua programação concertos de alta qualidade, mas raramente se vai a um de seus concertos e se atinge satisfação plena, da primeira a última nota, como aconteceu no Palácio Boa Vista no último dia 11 de julho com o concerto de música de câmara dado por Rosana Lamosa (soprano), Antonio Meneses (cello), Daniel Guedes (violino) e Fany Solter (piano).
Os quatro músicos se revezaram durante todo o variado programa, que começou com um sensacional Vocalise do regente, pianista e compositor André Previn, para piano, cello e soprano. Desde o princípio da noite, via-se que os músicos estavam em sua melhor forma e que o público seria provido de uma apresentação memorável. A obra de Previn, por sua vez, dava todas as possibilidades para demonstrar o caráter altamente expressivo dos músicos em questão.
Seguiram-se duas prèmieres mundiais de dois autores brasileiros, Marco Padilha e Cirlei de Hollanda. As duas obras foram escritas para cello e soprano, e as leituras que Meneses e Lamosa fizeram foram extremamente competentes e detalhadas. Os dois compositores mostraram ter talento suficiente para serem mais reconhecidos em obras futuras, e será interessante poder acompanhar suas trajetórias com olhar atento.
Os quatro músicos se reuniram uma única vez no recital nas Sete Romanzas sobre texto de Alexander Brok, de Shostakovich, indubitavelmente o ponto forte da noite. A atmosfera pesada, as dissonâncias pungentes e a economia de notas são características especialmente dos dez últimos anos da vida do compositor russo, morto em 1975. Shostakovich usava a música de câmara como um poderoso instrumento de protesto contra as opressões do regime soviético. Prova disso é o caráter extremamente sombrio e, em certas vezes, funesto de seus fantásticos quartetos de corda, que nas Romanzas também se faz presente. O texto de Alexander Brok dá à obra maior dramaticidade, e Shostakovich usa seu instrumental de forma bastante inteligente, alternando os instrumentos de um em um nas três primeiras peças, de dois em dois nas três subseqüentes e finalmente com os três instrumentos na última peça, acompanhados sempre por um grito desamparado e desesperado da poesia de Brok. A execução foi absolutamente excepcional, com todos os intérpretes se sobressaindo de maneira condizente com a grandeza da obra.
A segunda parte do concerto foi dedicada ao repertório para cello e piano, com interpretações magníficas do Fantasiestücke Op.73 de Schumann e da Sonata para Cello de Debussy. Antonio Meneses e Fany Solter pareciam muito à vontade no palco e mostraram um entrosamento intenso, em especial na sonata de Debussy. Como extra, o duo apresentou o movimento lento da Sonata para Cello de Chopin, que era prevista no programa em sua totalidade, mas alterada em favor do binômio Schumann/Debussy na última hora. Solter extraiu timbres impressionantes do não tão impressionante Steinway B que estava disposto no local, e Meneses simplesmente confirmou, com um som expressivo e caloroso, o porquê de ser hoje considerado um dos maiores cellistas da atualidade.

Esse evento foi o maior exemplo do que significa “tirar leite de pedra”. Já vínhamos conversando há bastante tempo sobre o que poderíamos fazer.
Tínhamos inúmeras idéias, mas não tínhamos dinheiro. Tínhamos espaço, mas pouquíssimas cadeiras. Tínhamos cantores amigos que iriam por um preço acessível, mas e o piano?! Enfim, nós tínhamos o queijo, mas nenhuma faca.
A Sra. Miriam Tawil, que muito gentilmente ofereceu as ruínas para que o evento acontecesse, estava muito preocupada com essas questões.
Porém, à medida que a data ia se aproximando, ela conseguiu cadeiras que um amigo dela de um buffet emprestaria, alguns dias depois conseguiu vinho para o coquetel posterior ao concerto. Conseguiu também móveis para a decoração do local, e até uma jóia, que seria leiloada em prol da AME. Infelizmente não foi possível realizar o leilão, pois estava escuro, ninguém tinha experiência em fazer leilões, e todos estavam ansiosos para assistir o concerto da noite. Mas a jóia ainda está conosco, e faremos o leilão em uma outra oportunidade.
Os cantores, nossos amigos Miguel Geraldi e Guiomar Milan , bem como o pianista, Paulo de Tarso, aceitaram de muito boa vontade vir colaborar com a qualidade do evento, fazendo peças solo como: Bambino Caro – Puccini (Guiomar), Estudo n°6 de Chopin Op.10 (Paulo), Nessun Dorma – Puccini (Miguel), entre outros, e também duetos de árias de famosas óperas.
Ué, mas e o piano??? Sim… a Sra. Miriam transportou o piano de armário da casa dela, o coitadinho tomou sol o dia inteiro, mas mesmo assim deu pra quebrar o galho, ainda mais porque a qualidade dos cantores e do pianista supera qualquer deficiência.
Enfim, às 18:00 o evento começou, e logo na primeira obra apresentada, um dueto da Guiomar com o Miguel, o público já ficou impressionado, e assim se manteve até o fim das apresentações.
Quando pensamos que tinha acabado, eis que chegam os renomados violonistas João Luiz e Douglas Lora, que formam o internacionalmente famoso “Duo Brazil”. Vieram direto do Palácio do Governo, onde estavam se apresentando, e no dia seguinte voltariam aos EUA, onde tinham vários concertos marcados.
O público, dessa vez assentado próximo à lareira, não hesitou em assistir mais uma apresentação, pois o ambiente estava tão aconchegante, a música tinha tanta qualidade, que quanto mais música tivesse, melhor seria.
O repertório era basicamente de música brasileira, mas também teve um tango de Piazzolla pra dar uma diversificada. Estava maravilhoso!
Ouvi muitos elogios, e propostas de pessoas que querem ajudar a AME tanto associando-se, quanto com serviços que podem ser prestados. Isso mostra o resultado de um trabalho bem feito, e que está dando frutos.
Nos resta agradecer muito a Sra. Miriam Tawil por todo o apoio que ela deu pra realização desse evento, fornecendo os principais elementos para isso: O local, o piano, contato com os músicos amigos e a boa vontade! Sem esses fatores, nada teria acontecido.

Davi Ramos

No último sábado, dia 05 de julho de 2008, ocorreu a abertura oficial do 39° Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão – Dr. Luís Arrobas Martins.

Conforme nota do dia 10/05/2008, veiculada no site da AME Campos, o tema Música e Literatura inspira a maior festa brasileira da música clássica e uma das maiores da América Latina. O tradicional Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão possui como objetivo não apenas proporcionar espetáculos de qualidade para a população local e turistas que vão para Campos do Jordão para aproveitar as férias de inverno, como também possibilitar que estudantes de música tenham maior contato com grandes nomes, com o intuito de maior desenvolvimento pessoal e profissional de cada um. A maior benefíciária da realização desse evento com certeza é a própria cidade, que ganha cada vez mais notoriedade como pólo de cultura, sempre com grandes nomes se apresentando e dando o privilégio aos apreciadores de boa música de poderem assistir grandes espetáculos.

A abertura do Festival ocorreu no Auditório Claudio Santoro, assim como nos anteriores. Sem contrariar a tradição do evento de abertura, os ingressos esgotaram-se com mais de uma semana de antecedência, e para chegar ao local do concerto enfrentou-se uma grande fila de automóveis e de pessoas andando na rua que dá acesso ao local. No saguão do auditório, grande agitação, com a presença da imprensa, tanto para a transmissão ao vivo do espetáculo, como também devido à presença de personalidades, como por exemplo o sr. Governador, José Serra, e o sr. Secretário da Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad, entre outros. As pessoas presentes estavam bastante ansiosas para o início da apresentação da Osesp, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, composta por mais de 100 estudantes, sob o comando do regente John Neschling, devido à grande expectativa criada pelas publicações da imprensa paulista e nacional dando grande destaque ao evento durante toda a semana.

Antes de entrar no auditório, tive a oportunidade de conversar com o sr. Sérgio Ashkenazy, figura já conhecida neste blog por seus diversos comentários já postados. Tivemos uma boa conversa sobre o que esperar do concerto. Uma de suas opiniões me chamou muito a atenção, afirmando que o sr. John Neschling é um maestro “burocrático”, segue exatamente a partitura, sem colocar traços de sua personalidade na execução da peça (opinião esta que aqui coloco como ilustração e com autorização do sr. Sérgio). Após essa conversa, tracei a meta de me concentrar para ouvir ao concerto sem me deixar influenciar por esta opinião.

Às 21 horas deu-se início ao evento, com discursos do sr. Secretário da Cultura do Estado de São Paulo e do Maestro Roberto Minczuk, diretor artístico do Festival pelo quinto ano consecutivo, sendo que este último fez um discurso explicando o tema do Festival deste ano. Ele destacou ainda a influência e grandiosidade do Festival, apontando a presença de músicos estudantes de países como México, Argentina, Chile, entre outros, que deslocaram-se à Campos do Jordão para prestigiar o evento e contribuir com a troca de experiências e aprendizagem dos outros alunos ali presentes. Ainda cumprindo o protocolo, a Osesp executou o Hino Nacional Brasileiro.

Após cumpridas as formalidades, o espetáculo foi iniciado com a peça Desenredo, de João Guilherme Ripper, compositor residente do Festival. De acordo com a resenha no programa distribuído ao público, a peça conta “a histórica peleja de Inácio de Catingueira e Arnoldo Choembergue. Desenredo é uma alegoria sobre o confronto entre o sistema tonal e atonal, que teve lugar na história da música européia do século XX e marcou profundamente a música brasileira através da polêmica entre Camargo Guarnieri e Koellreuter”. Desenredo é uma peça que foi elaborada com certa complexidade, com a primeira parte bastante tranqüila, seguida de um tom um pouco mais agressivo na segunda e terceira partes, inclusive com a presença de coro e solos de Tenor (Anderson Luiz de Souza) e Barítono (João Vitor Ladeira). Entretanto, em alguns momentos a peça foi executada de forma confusa, com a orquestra abafando as vozes dos cantores, causando dificuldades no entendimento das falas.

A segunda peça foi Choros para Clarinete, do M. Camargo Guarnieri, executada basicamente por instrumentos de cordas, sopros e percussão. Conforme define o programa entregue pela organização do evento, “a palavra choro não foi usada na acepção popular, isto é, de um conjunto de instrumentos de sopro, cordas e percussão que, altas horas da noite, percorre as ruas da cidade numa espécie de serenata tocando em frente às casas das namoradas. Choro está substituindo ‘concerto’. O compositor preferiu ‘choro’ porque sua linguagem musical é nacional. Própria do autor e com raízes da terra. Datada de 1956, trata-se de uma peça concisa e camerista, quanto ao uso da orquestra. Contra esse pano de fundo brilha o clarinete em passagens de virtuosismo e principalmente de lirismo modinheiro”. A peça foi executada de forma lenta, em um tom de melancolia, nostalgia, sem contrariar o quanto descrito na crítica apresentada no programa.

No intervalo, tive a oportunidade de conversar com várias pessoas e ouvir opiniões. Algumas delas foram negativas, com alegações de que o clarinete não havia entendido a peça, outras bastante positivas, destacando a beleza do espetáculo.

Por fim, ouvimos a Sinfonia Manfred em si menor, Op.58, de Piotr I. Tchaikovsky. Esta obra é uma “sinfonia em quatro quadros, destinada a ser a primeira grande obra da última fase de sua vida. Balakirev, havia elaborado um resumo do enredo e o oferecera a Mussorgsky. A seguir, ofereceu-o a Tchaikovsky, que o aceitou relutantemente, dizendo: ‘É mil vezes mais agradável trabalhar sem programa. Quando componho uma sinfonia programática, tenho continuamente a sensação de estar iludindo o público e de pagar uma conta com moeda falsa’. Com o passar do tempo, entretanto, passou a considerar Manfredo como uma de suas melhores obras, talvez por sentir nela a presença forte de seu próprio drama existencial”.

No geral, a apresentação foi boa, bem executada. Mas vale ressaltar que em nenhum momento percebeu-se um comportamento vibrante do público como já visto em anos anteriores, chegando ao ponto de no final da última peça o público deslocar-se às saídas sem pedidos do famoso “bis”.

O dia 21 do corrente ficará marcado para sempre em minha vida.  Tenho
61 anos e fui criado por uma avó inglesa que era uma excelente pianista.
Com a idade de 5 anos ela começou a levar-me em concertos e óperas.  Nesses
56 anos tive a felicidade de conhecer e conversar com os maiores pianistas
do século XX.  Lili Kraus,Jorge Bolet, Cláudio Arrau, Alicia de La Rocha,
Cristina Ortiz, Roberto Shidon, meu primo Vladimir Ashkenazy, além dos mitos
do piano brasileiro, como Magda Tagliaferro e Guiomar Novaes.  A maioria
deles no Festival de Inverno de Campos que assisto desde os seus primórdios.

Mas, “retornando ao início”, no Alcalá Plazza Hotel, em nossa cidade,
as Musas resolveram deixar o Olimpo e vir passear nesta prosaica cidade.
Como não tinham o que fazer foram assistir ao recital do pianista Leo
Hilsdorf para inspirá-lo.

O que se passou aí foi impressionante.  Eu fiquei arrepiado ao ouvi-lo do
primeiro ao último compasso.  Nunca OUVI e VI nada igual em minha vida.
Procurando voltar à racionalidade, na medida do possível, vamos tentar
analisar o que aconteceu naquela tarde mágica.

Tudo o que começa bem termina bem diz o dito popular.  Cheguei junto com o
pianista na sala do recital.  Sua primeira providência foi mandar virar o
piano para que ficasse de lado para os espectadores.  Essa medida não é só
estética como pensava Liszt em meados do século XIX.  Ele queria que as
pessoas vissem suas mãos dedilhando as teclas e seus olhos voltados para
cima como se estivesse recebendo a inspiração diretamente de Deus.  Na
verdade, na música de câmara se a abertura do piano ficar em outra direção o
som se reflete nas paredes laterais provocando uma reverberação.  Com isso,
aparecem dissonâncias, pelo efeito do eco, extremamente desagradáveis. O
ouvido humano responde a altura sonora logaritimicamente e não linearmente.

A primeira peça executada foi de Villa Lobos e que traduz a
ingenuidade, brejeirice e encanto do folclore brasileiro tão bem aproveitado
por esse compositor.

A seguir tivemos de Granados as Goyescas n.4 e de Albeniz, Navarra.
Ambos são compositores espanhóis do final do século XIX e início do XX. Sua
música reflete o nacionalismo Ibérico com uma grande influência da escola
impressionista francesa.  Fauré, Debussy e Ravel foram os maiores expoentes
dessa corrente musical.

Navarra de Albeniz é uma obra dificílima e eu a conhecia interpretada pela
grande Alicia de La Rocha que aqui esteve nos anos 80.  Honestamente, achei
a interpretação do Leo mais vibrante dentro do espírito que o compositor se
propôs.

Em seguida fomos agraciados com 2 prelúdios e a famosa Sonata n.2 de
Rachmaninov.  Esse gênio russo é um romântico tardio, como Max Bruch,
Ferruccio Busoni e Richard Strauss.  Infelizmente após a Revolução Russa
(1917), emigrou para os Estados Unidos.  Nunca se adaptou à vida desse país.
Parou de compor dedicando-se à carreira de concertista.  O que foi
lamentável.

A leitura que o intérprete fez, principalmente da sonata, foi exuberante e
se o meu xará (Sérgio) estivesse presente, aplaudiria de pé com suas enormes
mãos que segundo alguns musicólogos transparecem em suas composições.
Méritos também para o professor do Leo, sr. Eduardo Monteiro da USP.  Atrás
de todo grande músico existe sempre um grande mestre.

Por último, um depoimento de cunho pessoal.

Recentemente, diante de toda a barbárie a que assistimos, (pai que joga a
filha pela janela, criança arrastada com a cabeça para fora do carro), eu
tenho a sensação da ausência de Deus no mundo. Isso estava me levando em
direção a um agnosticismo.  Entretanto, depois de ouvir o Leo eu voltei a
acreditar na existência de Deus.  Obrigado por mais isso Leo.

Ashkenazy

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