Não saberia dizer se faz parte do propósito de uma crítica ser impessoal, já que normalmente ela é feita por alguém que possui um poder de julgamento baseado em uma opinião própria. Digo isto pelo fato de já conhecer o pianista Ronaldo Rolim há um bom tempo e, sendo assim, ao falar de seu último recital na Série Jovens Talentos, promovida pela AME Campos, seria impossível não considerar o que tenho em minha memória desde que o conheço.
Eu não o escutava desde a sua ida para o exterior, onde estuda desde então, o que me fez ter uma grande surpresa ao ouvi-lo. É indiscutível a sua evolução… um estudo focado e um lugar com boas estruturas com certeza ajudam muito, mas sinto que isto está muito mais relacionado a um crescimento pessoal natural, refletindo claramente em uma maturidade musical muito mais consciente. Aliás, acho que a palavra seria exatamente esta: CONSCIÊNCIA! Ronaldo tinha plena consciência do que queria fazer em cada uma das obras, mostrando muito mais auto-controle do que a última vez que eu o ouvi.
A escolha do repertório, em geral, refletiu muito bem a personalidade do Ronaldo. Na primeira parte, por exemplo, tivemos o Rachmaninov, que se encaixou muito bem com a energia e até força física presentes no Ronaldo, mas foi na segunda parte que as grandes surpresas vieram à tona. Tenho certeza que todos ficaram impressionados com a qualidade musical presente em cada uma das obras. Ronaldo apresentou no Cesar Franck, no Debussy e no Villa-Lobos interpretações dignas de muito respeito! Maturidade, qualidade sonora e técnica, consciência e auto-controle… via-se um trabalho de extrema consistência ao longo de cada uma das música.
Foi uma pena termos tido, desta vez, um número tão baixo de expectadores, talvez pela confusão na divulgação do lugar do concerto, pois quem esteve pôde presenciar um recital, como eu disse antes, digno de extremo respeito por parte de todos nós!
Flávio Lago
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