A cada ano que se inicia, músicos aguardam ansiosos pelo mês de julho. Não somente por tratar-se do mês de férias letivas (o que para nós não faz a menor diferença, já que deveríamos estudar constantemente), mas sim, pela euforia quase mágica que envolve o tão famoso e conhecido “Festival Internacional de Campos do Jordão”, que há tanto tempo vem sendo conduzido pelas mãos de importantes maestros brasileiros e mostrando ser o mais importante evento de música em termos pedagógicos do país.
Esse fato comprova-se ao observarmos a programação do mês, aonde constam orquestras do país inteiro e figuras de renome no meio musical. A programação sempre é muito bem misturada e tende a agradar todo tipo de ouvido! E o mais importante: há espaço para os músicos estudantes mostrarem seu trabalho e tudo aquilo que aprenderam ao longo de um mês de estudo.
Sem falar na possibilidade de intercâmbio entre os próprios alunos. Um espírito de troca mútua de conhecimento, sabedoria, cultura, informação… Tudo aquilo que os professores têm a passar, tudo o que os alunos têm a aprender, tudo o que o público tem a absorver. Uma grande troca…
Fazendo um paralelo com o Festival de Verão que acontece em Viena, os alunos lá freqüentam não somente as aulas de seus instrumentos, como saem juntos pela cidade, para conhecer tudo o que existe de cultura e de história naquele lugar. Local este por onde grandes compositores passaram e viveram, deixaram suas marcas. Todos juntos, alunos e professores, num grande curso de história da música real.
Mas e aqui? Qual a valorização que existe para com o nosso compositor brasileiro contemporâneo? Paradoxalmente à boa grade de programação também me deparo com uma grande falha: cadê a divulgação da NOSSA música brasileira? Sim, falo de compositores como Almeida Prado, Osvaldo Lacerda, Aylton Escobar, Ronaldo Miranda, Edino Krieger, entre tantos outros compositores importantíssimos para essa nova geração de alunos… Por que não gerar um espaço para poder se conhecer mais dessa música quase “mística” na opinião de muitos…?
Cabe aos alunos, principalmente os alunos, buscar novas idéia e ideais, novas linguagens a serem utilizadas, novas pesquisas a serem feitas, e através da união de um grupo descobrir o mundo que nos cerca. Como estudantes, não basta apenas sentarmos e escutarmos um mestre. Temos que interagir e trocar. Só assim um Festival, qualquer que seja este, ganha um rumo e uma finalidade positiva: unir forças para mostrar que no Brasil também se faz música boa, seja qual for o sentido da expressão.
Fabio Martino
Karlsruhe, Alemanha
22.05.08

Eu pessoalmente acho que falta ao Festival de Inverno um clima de envolvimento como o que existe na FLIP em Paraty. O processo de compra de ingressos é sempre complicado, nem sempre a programação é bem divulgada, os locais não são decorados de forma “pensada”, não há merchandising de materiais do Festival. Enfim, a cidade não está 100% envolvida com o Festival como acontece com a FLIP e torna o evento tão mágico. Os perdedores maiores são os patrocinadores que ganham pouco destaque e vivem de banners simplórios espalhados pelos postes de Campos do Jordão. Isso tudo poderia e deveria ser organizado de forma muito mais profissional.